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Fragilidade e a coragem através do atleta

Atualizado: 17 de abr. de 2023

A saúde emocional e o bem-estar mental podem influenciar diretamente a performance e os resultados dos atletas nas competições. É o que mostrou o mais recente caso de desistência de uma prova, desta vez nas olimpíadas de Tóquio.


mulher saltando em barra

O evento que acontece um ano depois da data original por causa da pandemia do novo coronavírus contou com a participação da maior medalhista em jogos olímpicos e mundiais de ginástica em diversas provas na competição, a americana Simone Biles. Uma atleta muito vitoriosa que impressionou o mundo nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 aparecendo no cenário mundial esportivo com estrelas como Usain Bolt.


Simone Biles participou das provas de salto e solo com falhas que normalmente não acontecem. O resultado fez com que a atleta não continuasse nas provas do dia. Uma atleta de alta performance, vencedora de 4 medalhas de ouro em olimpíadas e 19 medalhas de ouro em mundiais de ginástica que com apenas 24 anos de idade falou em uma publicação em suas redes sociais sobre os "twisties" que tem sofrido desde terça-feira dia 27 de julho.


"Twisties" são as sensações de falta de referência de espaço durante o tempo que o atleta permanece no ar durante uma acrobacia na ginástica ou em outro esporte. Além disso, em uma publicação feita pela atleta recentemente nas redes sociais a atleta revelou que o corpo não está em sincronia com a mente.


Vale destacar dois pontos principais nos acontecimentos que envolvem uma das maiores atletas do mundo nos últimos anos. A primeira é que sem saúde mental não existe bom desempenho esportivo e a segunda mostra a coragem de uma atleta que apesar de toda pressão que sofre para manter o alto nível de competitividade com resultados expressivos sendo tão nova, mostrou que é preciso pensar sério na questão da saúde mental.

Não é possível afirmar se a atleta ainda está tentando compreender as falhas que raramente comete em provas oficiais por ser uma atleta vencedora e tão cobrada, gerando o problema psicológico que parece ter influenciado seu corpo com os twisties que vem sentido depois da desistência das outras provas de ginástica ou se a atleta já estava passando por dificuldades psicológicas antes mesmo do início das olimpíadas de Tóquio.


Simone Bales recebeu duras críticas de uma parte de pessoas influentes nos Estados Unidos acusando a atleta de “desistente” por não competir nas provas por equipe. Termos como falta de força emocional foram usados para desqualificar a atitude da ginasta americana.

O caso de Simone Biles mostra que apesar de querer continuamente superar seus limites, isso não quer dizer que os limites para o corpo e a saúde da mente não existam. É importante tirar lições da coragem da Simone Biles em compreender que precisava parar e vencer a pressão por vitórias de uma forma diferente de só fazer isso alcançando as vitórias.


A atitude de Simone Biles pode ser considerada também como uma resposta a imposição de regras e treinamentos exaustivos que os atletas podem passar para alcançar resultados que pareciam impossíveis em anos anteriores.


Não é atoa que recordes são quebrados ano após ano. Os atletas estão cada vez mais levando o corpo ao limite podendo gerar problemas psicológicos. O mesmo pode acontecer com cada um de nós, seja no emprego ou mesmo em um relacionamento. Precisamos ter coragem de aceitar nossos limites e o cuidado com a saúde mental deve ser levado a sério.


O que podemos tirar de lição?

Não existe a superação infinita e isso não pode ser uma regra na nossa atuação em todas as áreas da vida. Isso não quer dizer que devemos aceitar derrotas e falta de ação para nossos objetivos, mas devemos compreender o momento de parar para respirar, dar uma pausa na correria diária e tomar novo fôlego para continuar.


Vivemos em uma sociedade que valoriza a competitividade e a necessidade da concorrência máxima para alcançar o sucesso em todas as fases da vida e a questão está em compreender que se você não consegue ganhar a prova olímpica de vida que está envolvido agora, pode conseguir conquistar na próxima.


Também não podemos eliminar a pressão por resultados pois isso nos move para chegar aos nossos objetivos, porém nesse caso estou falando da pressão que pode ser relacionada como motivação para executar tarefas que são importantes. O cuidado que devemos ter é na quantidade e intensidade de pressão que estamos recebendo ou mesmo promovendo em nós mesmo para chegar aos nossos objetivos ou aos objetivos de outras pessoas.


A pressão cotidiana para alcançar resultados não vai parar de existir pois é uma característica do mundo competitivo que vivemos. A diferença vai ser em o quanto vamos compreender o momento certo de parar e cuidar da saúde mental e da saúde do corpo mesmo que isso signifique ir contra a vontade dos que estão nos cobrando insistentemente sem pensar que somos humanos e não deuses e de nossa própria vontade de nos submeter a pressão infinita por resultados melhores.


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